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c o n t a t o |...

Sexta-feira, Maio 25

botafogo
Nunca havia considerado morar em Botafogo. Até que você deixe pela primeira vez o "seu bairro", é quase impossível considerar que a sua alma se apraze em outro canto. A minha trajetória foi(tem sido?) Coelho Neto, Penha, Jacarepagua, Coelho Neto, Catete, Coelho Neto, Laranjeiras, Largo do Machado, Laranjeiras, Santa Teresa, Tijuca, Botafogo. Notem que Coelho Neto aparece três vezes. E se não permito que haja uma quarta vez, as ruas sabem o porquê, guardam para mim as memórias que já não me pertencem. Não fosse isso, gostaria ainda de deleitar umas tardes sentada na enferrujada cadeira de ferro de jardim e curtir o que há de melhor nos subúrbios: as calçadas.

Vejam: moro atualmente no bairro das calçadas amputadas. Se os bairros pudessem ser personificados e falassem por si só, Botafogo seria um velho português de cabelos brancos a esbravejar do alto de um caixote a falta que lhe fazem as calçadas. É por isso que não há tantos cocos de cães como em Laranjeiras. Em Botafogo não há o prazer de passear com o cão nas calçadas. Escrevo isso, e já não tenho convicção de que é ausência de calçadas que inibe os donos dos cães.

Botafogo é um bairro que acontece para dentro. Se é feio por fora, e só lhe resta a paisagem dos vizinhos, teve habilidade para fechar as portas e brotar para dentro de si mesmo, feito um tubérculo. As salas de cinema são plantações de batatas. As clínicas são plantações de batatas. Os bancos são plantações de batatas, bem como todos os apartamentos e casas. O São João Batista é uma plantação de batatas! Me perdoem escrever que podres, mas batatas. A Dona Mariana é uma plantação de batatas onde há contradição.

Não sou tão estúpida para ignorar toda a história do bairro e não sou simplista para resumi-lo a funcionalmente como passagem. Para gostar de Botafogo tem de se ter habilidade de tatu, ser meio sombrio e praticar um pouco o desapego. O Walter Alfaiate me acordou com suas histórias sobre Botafogo. Blocos, fantasias de papel crepon e banhos de mar e ainda "gurufins". Por influência dele fui em expedição ao SJB.
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escrito por Paula |

Quarta-feira, Maio 23

re-pouso
"la vida es linda, lo malo es que muchos confunden lindo com facil" (Mafalda)


Segunda semana longe do trabalho, e sobrevivendo com a mão esquerda. Para mim não é muito fácil, mais pela dificuldade em aceitar ajuda para executar tarefas simples, que para utilizar a mão esquerda, já que me considero ambi-destra desde as recorrentes tendinites.

Se alguém passa por mim e pergunta "o que foi?", como se estivesse a dizer aquele "tudo bem?", pergunta que não deseja resposta, eu sorrio, e respondo meigamente: "Dodói.". Se a pessoa não se contenta, eu sorrio, levanto as sobrancelhas e digo: "Fiz arte!" e os amigos que sabem da minha pouca paciência, riem. Geralmente o curioso pára por aí. Se tenho de explicar, fico um pouco enfadada, e faço alguma piada idiota.

Esta segunda semana tem sido mais agradável. A cabeça agradece este re-pouso mais que o próprio braço doente. Filmes, sopas, livros, amigos e ele. Não tive muita vontade de escrever aqui não. Tudo começou enquanto lia o meu "Toda Mafalda", e quis digitalizar algumas mafaldas pra usar como avatar no gtalk e divertir os amigos. Daí quis postar aqui, e então cá estou desperdiçando bytes na internet. Não tenho nada de útil para compartilhar com a WEB. Tenho absorvido conteúdo, mas é como se o mundo todo já estivesse a léguas de mim, e eu correndo atrás do rabo-do-tatu. Se tem alguém atrás de mim não me importa, não consigo desprezar que até esta pessoa possui relíquias que não tenho. Sejam emocionais, compotamentais, intelectuais ou físicas. Tenho urgência. Muita urgência, o que acaba me angustiando.

Há conforto próximo aos que tem língua de cão, asas de borboleta e enxergam feito morcegos. É para eles que corro. Sempre.
escrito por Paula |

Sexta-feira, Maio 18

Questões
- Peixes vão para o céu?
- Começou ontem meu inferno astral?
- Uma cicatriz funcional é esteticamente feia?
- Porque Inês Pedrosa me consola?
- É possível ter mesmo tanta certeza de ter encontrado a conchinha perfeita?
- Porque comi carne vermelha nesta vida?
- O que seria de nós sem os amigos?
- Porque é tão bom espreguiçar?

escrito por Paula |

Quinta-feira, Maio 10

Paciência
Aliás, se eu tivesse paciência, comentaria sobre o Papa e aborto. Talvez amanhã. Para quem não escreve há séculos aqui, até que estou bem "falante".
escrito por Paula |



Nei Lopes, Dudu Nobre e Walter Alfaiate
Alguns registros dos bastidores do show deste trio, que aconteceu em Sampa no final do mês de abril. Na primeira foto o Dudu no orkut antes de começar o show - "Pô, colega... tenho três perfis...", O Walter aquecendo a voz com o uisque servido pelo Marcolino, o Nei posando com o Dudu e na última foto, o produtor conversando com diretor musical no camarim.

Fora os poucos registros fotográficos, ficarão na memória o jantar no Sujinho da Consolação, a noite de causos no Bar Samba na Vila Madalena e claro, o parmegiana no Bar do Alemão, o meu cantinho predileto em Sampa. Se eu estivesse com paciência para escrever mais, contaria do Walter chegando a conclusão de que eu deveria ser geminiana como ele...



escrito por Paula |

Quarta-feira, Maio 9

Adolescente
Encomendei quatro Lip Gloss da Victoria Secrets para um amigo e já tenho os ingressos para o show do Los Hermanos. Parece que eu tenho 16 anos!
escrito por Paula |

Sábado, Maio 5

Noel e Cristina
Teve show homenagenado Noel Rosa em Vila Isabel ontem à noite. Parece que o show foi ótimo, não assisti, estava atrás do palco. Só depois de um tempo caiu a ficha de que eu estava sendo paga para beber cerveja com a minha ídola. Eu deveria pagar por isso!!!

Daí soube que ela, Cristina Buarque, vai lançar um disco pela deck com o Alfredo Del Penho com repertório de Mauro Duarte. Oba!

O show contou com a presença da Nilze Carvalho, Marcos Sacramento, Cristina Buarque e Roberto Silva, e aconteceu bem na esquina da 28 de Setembro com a Visconde de Abaeté, em frente ao Petisco.

Positivismo
(Noel Rosa e Orestes Barbosa)

A verdade, meu amor, mora num poço
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
E também faleceu por ter pescoço
O autor da guilhotina de Paris
Vai, orgulhosa, querida
Mas aceita esta lição
No câmbio incerto da vida
A libra sempre é o coração
O amor vem por princípios, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezaste esta lei de Augusto Conte
E fostes ser felizes longe de mim
Vai, coração que não vibra
Com teu juro exorbitante
Transformar mais outra libra
Em divida flutuante
A intriga nasce num café pequeno
Que se toma pra ver quem vai pagar
Para não sentir mais o teu veneno
Foi que eu já resolvi me envenenar.

* * *

obs.: Esta música não estava no repertório do show.
escrito por Paula |