O rosa perdido na banalidade dos meus dias
Tive um mundo amarelo para ser diferente de todas as meninas enjoadinhas de rosa. Boneca de maracujazinho, enquanto elas brincavam de moranguinho. Depois, quando achei que as minhas esperanças estavam perdidas, me agarrei ao verde. Foi curta esta fase. Até eu me sentir pronta, e preferir o vermelho. Na unha, no lençol, no robe, na vida.
Descobri que o rosa era a cor de um sonho. Rosa era a cor de deus. E deus, você bem sabe, está sempre por perto, mas não te dá a felicidade de um abraço. Até que um dia, o que eu temia aconteceu: esqueci o rosto de deus. E eu já não sabia dizer se rosa era bom ou ruim. Rosa deixou de existir.
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Quando completamos um ano living together fui presenteada com um robe todinho rosa. Não foi exatamente neste dia que, a minha vista começou a arder, e comecei a enxergar o rosa novamente. Mas gosto de pensar que aqueles rosas eram da mesma tonalidade.
Não gosto da tensão dos dias especiais. Corro para a mesmice dos dias iguais. Não quero sonhos cor-de ¿rosa, quero rosa no sangue. Não quero a expectativa da materialização do encontro. Quero rosa surrado, desbotado, como um sofá de tecido de algodão esfiapado por um felino, como um all-star antigo de ir à padaria, como um chiclete grudado na sola do sapato.
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Ontem comprei o novo Elseve da Loreal cor-de-rosa. Lavei os cabelos antes de dormir, e ao acordar novamente. No almoço deus me beijou, e, feliz, ainda paguei a conta.
Quinta-feira, Agosto 24
Rosa
Rosa é uma das cantoras que, provavelmente eu não teria escutado, se não fosse por ele... E agora não paro de ouvir, pois a voz é macia, o violão é sutil e os arranjos são plumas. É o disco Rosa, que está sendo lançado agora no Brasil. Gostei do disco todo, e as preferidas são Fusión do Drexler, a regravação de Sentado à beira do caminho do Roberto e Erasmo, Demasiado blue da Rosa com o Fernando de Oliveira, e esta abaixo da Rosa com Arnoldo Medeiros. Bem mulherzinha...
Edredon de seda
(Rosa Passos / Arnoldo Medeiros)
Insensatamente apaixonada
Cega, tonta e louca por você
Uma mariposa que não pousa
Pois tudo que ousa é lhe querer
Desvairadamente alucinada
Na semi-escuridão de um quebra luz
Como um cisne branco sobre a lama
eu me dilacero em sua cama
Na fascinação dos seus suplícios
Vivo a insaciável aflição
De ser desfrutada como um vício
e me desgovernar nas suas mãos
Os lençóis no chão amarrotados
Gotas de suor no edredon
Nossos risos tão esfarrapados
E a felicidade no colchão
Mata se quiser, mas não me obrigue
a amordaçar meu coração
Tente compreender Nelson Rodrigues
Esgote o poço escuro da paixão
Os: A foto foi retirada do site do restaurante afrodisíaco Te matare Ramirez, em Isidro, indicado pela Kamille.
Segunda-feira, Agosto 21
O Nei, Nelsinho e o Kiko, maravilhoso trio que há anos acompanha o João Bosco em seu shows, se apresentam amanhã no Mistura para lançamento do DVD.
Eu escrevi lançamento! Não confundam com gravação.[arrepios]

Quando o limite é o amor próprio...
Ainda não decidi se desisto de tentar convencer as duas cabeçudas - Trakinas e Pirulito - de que se o homem, no primeiro encontro, coloca Sade ou Kenny G. pra tocar no som do carro, que elas devem ofendidíssimas, tirar o cinto com gestos bruscos, sair do carro, bater a porta violentamente e seguir em frente em passos firmes e sem olhar para trás.
Cinefrance

Terça-feira, Agosto 15
Martnália
Hoje e amanhã no CCC, mais duas apresentações do melhor show do ano! Martnália apresentando o seu Menino do Rio.
Bem que eu queria ir de novo...
Nas águas de Amaralina
(Martinho da Vila / Nelson Ruffino)
Fui pras águas do mar de Amaralina
coma mágoas demais em cima
Aos meus sonhos juntei perfume e flores,
desejos, temores
Prometi novamente voltar pra´s águas
Se a força do mar me vingasse as mágoas
Esperei, me curvei
e na terceira onda entreguei pra jana
Ína, me amor!
Vaidosa e brejeira, Mãe menina
Janaína ê ê Janaína...
Devolveu perfume e flor, que sina!
Mas, um velho me falou
Que Jana jamais bancou
Vinganças no desamor e então,
voltei ao mesmo lugar,
com peito aberto sem dor
Aí o meu coração sarou
Ína, meu amor!
Vaidosa e brejeira, Mãe menina
ps: Claro que a música que mais ouço é Cabide da Ana Carolina, a segunda é Nas águas de Amaralina.
Segunda-feira, Agosto 14
Sexta: Pedro Miranda no democráticos

Lobão, Lafayete e os Tremendões
O show do Lafayete e os Tremendões, que aconteceu sábado no Estrela da Lapa, estava morninho, morninho. Lobão esquentou o show mandando tudo mais para o inferno.
Sexta-feira, Agosto 11
Outros Tons
O que eu esperava encontrar sabendo que era um disco com composições do Tom pouco gravadas por intérpretes e de uma fase pré-estouro da bossa nova? Bem, esperava ouvir uma Fátima debruçada ao piano do Tom, num sarau informal(todo sarau é informal?), em uma casa com varanda, em Ipanema, e entre amigos. A expectativa se construiu pela idéia que criei da Fátima como uma cantora de palco visceral, passional e mulherzinha(aqui não-pejorativo). O disco é um passeio pela música do homenzinho Tom, e aqui entra a importância dos textos do Hugo para entender este passeio repertório adentro de uns compositores mais prestigiados da nossa música, em um período que viria a mudar aquilo que conhecemos hoje - eu, você e o resto do mundo - como A nossa música.
Quinta-feira, Agosto 10
imaginação
A metade do que sabemos sobre os outros é imaginação.
(Amós Oz)
* * *
Uma frase capturada de uma entrevista de Amós para a EntreLivros.
Noite de Lua cheia em Brasília
Amiga Ju-de-Brasília mandou esta foto tirada do prédio da caixa ontem à noite. Esta cidade tem paisagens estranhamente bonitas.
Postei uma música com a letra de Fred Martins aqui, e logo depois ouvi este samba cantado pelo próprio Fred no lançamento do disco do Augusto Martins, que saiu pela Fina Flor. Que belo samba...
Lei
(Fred martins)
Guarde a lembrança do que ficou
Mas nada além
Pois se esqueces hoje não têm valor
As promessas que em vão jurei
Se as mesmas juras de amor quebrei
Fazer as vezes de um sofredor
Não cabe a quem
Nos enganos já se fez sabedor
De que nunca fugirá à lei
No instante em que declina o amor
Pensar que se desfez a solidão
E logo ver que não foi dessa vez
Daquela música que então nos embalou
Hoje nem sombra, nem vulto
Terça-feira, Agosto 8
a dois
É preciso que haja uma estrutura,
uma coisa sólida, consistente,
artificial, capaz de ficar
sozinha em pé (não necessariamente
exatamente na vertical), dura
e ao mesmo tempo mais leve que o ar,
senão não sai do chão. E a graça toda
da coisa, é claro, é ela poder voar,
feito um balão de gás, e sem que exploda
na mão, igual a um fogo de artifício
que deu chabu. Não. Tem que ser na altura
de um morro, no mínimo, ou de um míssil
terra-a-ar. Sim. Menos de arquitetura
que balística. É claro que é difícil.
(Paulo Henriques Britto)
* * *
Poesia do Paulo, mas com título meu.
Terça-feira, Agosto 1
As minhas cantoras preferidas I - Maria Rita
Não sou dada a modismos, nem ao anti-modismo, que é também uma grande babaquice. Espia só: o cara não pode gostar de algo que seja massificado, pelo simples fato de ser massificado. Não gostar do anti-modismo apenas para não ser mais um na multidão, me parece um distanciamento do seu eu, seguir regras às avessas. Outra babaquice é encher o peito para dizer que conheceu algo ou alguém antes de virar modinha, um rótulo pejorativo dado por estes caras que são verdadeiros escravos do novo, do underground. Chaaaaaatos. Na verdade mais que chatos, são uns vaidosos também. É uma forma de se dizer o descobridor, garimpador ou o que seja, das novidades. Fazem o papel deles, e depois que o garimpado se torna modinha, proclamam: - Ah, conheci fulano antes de fazer sucesso, bla-bla-blá. Bom, deixei claro que não sigo regras, nem sou contra elas. Simplesmente ouço, gosto ou não gosto. Não conheci Maria Rita na onda de seu primeiro disco, porque eu tava noutras, e não vi o furacão chegar. Me apaixonei pelo seu primeiro disco, e o segundo apesar de chegar no sapatinho, não me pareceu deixar a desejar. Lá em casa Maria Rita é uma das três cantoras mais tocadas (exceto quando as pickups são cordenadas por ele, daí precisaria de um outro post). Maria Rita foi a cantora modinha do ano de 2003. Lá em casa ela ignora o calendário.
Sem Aviso
( Francisco Bosco / Fred Martins)
Anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
seu corpo deslembrar
Canta
vira dor pelo avesso
Canta
larga essa vida assim as tontas
Deixa esse desenganar
Calma
Dê o tempo ao tempo, calma
alma
Põe cada coisa em seu lugar
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso