Canto em qualquer Canto
(Ná Ozzetti/Itamar Assumpção)
vim cantar sobre essa terra
antes de mais nada aviso
trago facão, paixão crua
e bons rocks no arquivo
tem gente que pira e berra
eu já canto pio e silvo
se fosse minha essa rua
o pé de Ipê estava vivo
pro topo daquela serra
vamos nós dois vídeo e livros
vou ficar na minha e sua
isso é mais que bom motivo
gorjearei pela terra
para dar e ter alívio
gorjeando eu fico nua
entre o choro e o riso
pintassilga, pomba, mélroa
águia lá do paraíso
passarim, mundo da lua
quando não trino não sirvo
caso a Bela com a Fera
canto porque é preciso
porque essa vida é árdua
prá não perder o juízo
Sábado, Julho 22
Sonia
O Paulinho, era um "cara engraçado pacas", a definição é do Claudio, e pelo que sempre ouvi falar do Paulinho, era realmente um cara engraçadíssimo. Não conheci o homem, mas conheci os seus trabalhos, inclusive os menos sérios como as paródias musicais. Culpa do Paulinho, e do Hugo, que se encarregou de disseminar as descobrtas musicais do Paulinho, aqui em casa só dá Sonia.
Hoje descobri um vídeo no YouTube da Sonia cantando Sinatra. Não tenho muitas palavras. Resumo: ESPETACULAR.
PS.: Há uma recomendação de que se esteja preparado para ouví-la.
Sexta-feira, Julho 21
Teresa
À primeira volta da chave na fechadura da porta me escorreu uma lágrima. O sorriso veio quando fechei o portão, e enquanto marchava atrasada para o trabalho. Peguei um taxi, e sorri, entrei no elevador cantarolando Falando de amor do Tom, e a menina me sorriu de volta. Sorriu, e provavelmente confundiu a minha felicidade com as óbvias das sextas.
Teresa desandou a chorar, e eu pûde reconfortá-la com um abraço firme. Teresa não gosta de separações, relembrou que conviveu com um casal de loiros com uma pequena filha, que a princípio pareciam viver bem, e de repente a notícia: a separação. Teresa me descreveu os olhos azuis do homem acompanhados do eco da casa. Eu disse qualquer coisa, que realmente separação é muito doído. Pra quem vai, pra quem fica. Teresa chorou, chorou e chorou. Foi então que veio o abraço, e a confissão. Guardei no peito, chorei e sorri. Teresa ama.
Eu estava meio jururu, mas nada que pudesse ser percebido a olhos nus. Nem Teresa notou enquanto conversámos sobre dietas, frutas e bacilos. Eu secava os cabelos com o secador em temperatura média para que pudesse ouví-la, e me equilibrava em cima de uma balança, pois esqueci onde larguei as havaianas brancas. Achei graça da Teresa dizendo que lá na casa dela todo mundo me conhece, de tanto que ela fala de mim, e do Marcus também. Eu ri. E lembrei que alguns dos meus amigos também conhecem a Teresa de histórias. Que a Teresa não é mulher que chege despercebida em lugar qualquer. Ela tem um Bom dia!, ela gosta de cantar como se tivesse platéia, e de vez em quando Teresa fica naqueles dias, mas seu mau-humor não é muito convincente.
Teresa me salvou o dia, e eu nem supunha que ao explicar que a tevê pequena no chão do escritório pertence ao Marcus, e a ele deveria perguntar se iria se desfazer da velharia, pudesse desaguar nalgum daqueles territórios em que a alma transborda. Daí fiz a tal brincadeira sobre a separação, brincadeira que em outras circunstâncias já não tinha caído bem, e eu insisti. Fiz "piada" que a têve nova de tela plana é minha, e que se eu me separasse, não faltaria tevê na casa nova, e ri. Teresa não riu. Teresa me disse para virar a boca pra lá, que tem muito gosto de trabalhar na nossa casa. Um casal tão feliz e coisa e tal. Foi então que Teresa chorou, chorou e chorou. E então o abraço, e a confissão. Chorei também comovida com a história de amor, depois sorri. E não consegui mais parar de sorrir, e já confundem o meu sorriso com a frivolidade das sextas. Sorrio porque dentro da minha casa, assim como em muitas outras casas, há amor.
Terça-feira, Julho 11

