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Domingo, Outubro 30

Bom sinal
(Celso Fonseca)

É verão outra vez
faz calor
ando louco pra ver você

Céu azul e o jornal
Faz terror
Diz que tempo pode virar

Se chover não faz mal
Vou saber que teus braços vão me alcançar
Pode ser bom sinal
Nosso amor encharcado de água e sal

Demorou, sou feliz
e ao redor
Quase tudo o que a gente quis
Outra vez, bem estar
Aprendi
Que a alegria vem pra ficar

escrito por Paula 9:26 PM| |

Terça-feira, Outubro 25

A última moda feminina em Brasília são as executivas de bermuda chique.
Será que essa moda pega?

escrito por Paula 10:12 AM| |

Para deixar chover
Admito uma certa cumplicidade com a capital federal do país. Talvez sejam os vestígios da musa arquiteta que morou em mim. Razoável, ainda influenciada por esta musa, é a minha aceitação de que não existe o projeto perfeito. Não existe. Ou melhor, existe, no papel, numa planta arquivada ou premiada do escritório. Um bom começo para compreender Brasília. Brasília é a cidade dos anexos. Quase todo prédio tem um anexo. Isto deve explicar muita coisa.

Meu afeto por esta cidade, identificação até, é a percepção notória da falha inerente ao humano. A falha é humanizadora. O Anexo, a contingência demonstram a fragilidade do previsto. Planos se fazem, desfazem, refazem. Modificam-se. Adaptam-se.

É preciso deixar chover. Explico-me: conheci o coroa. Tem 83 anos, espírito de 17, corpo de atleta de 50. É preciso saber agarrar a sua frase na vida. A deste homem é: "Se chover, eu deixo.". Que maravilha! Nada de brigar com o inevitável. Nada de sofrer por antecipação. Por ele o serviço metereológico já teria falido.

Ao desembarcar em Brasília ontem à noite, senti o choro guardado, destes feito sangue pisado de dedo do pé preso na porta, querendo estourar. Por isto troquei o olhar inquisidor e humilhante do taxista, pelo desinteresse da massa do lotação 44 pasageiros. Isto porque vim sem eira nem beira. Nenhuma bagagem. Apenas uma pasta com relatórios, e a minha bolsa de mão. Nela a necessaire, celular, carteira, chave, e uma maça. No letreiro do ônibus: "Plano piloto". Do aeroporto eu deveria seguir para o hotel. Preferi o shopping, mas sem grandes ambições, uma farmácia ou papelaria seriam capazes de me satisfazer. Enquanto isto, eu tentava adivinhar a idade da guria vestindo uma camisa com a foto do Renato Russo. Uns treze, talvez. Do shopping acabei levando uma camisola e uma lingerie para dormir. Sabia que tinha esquecido alguma coisa. (sic) No SAARA meu shopping predileto, confesso a bagaça, custaria 6 vezes menos. Verde. Depois disto tomo o táxi para o hotel, já esperando a cara de suspresa do motorista ao ouvir o meu anúcio: "Hotel Bay Park, por favor." "Dona, aquilo lá..." No Rio seria o equivalente a ter uma reunião na Rio Branco, e se hospedar no Water Planet. "É lá mesmo, moço. No Parque aquático."

Meu choro talvez seja apenas uma chuva anunciando o verão. Respingo previsível do Wilma. Não há nada a fazer. É deixar chover, e depois a garizada arrastando a vassoura, recolhendo aquilo que as águas levaram.

Brasília é uma cidade incronicável. Não há muito o que dizer de uma cidade que não coleciona a tradição da Feira-Livre. As frutas, os legumes, o peixe, as flores. Aqui nem o saco de lixo em redemoinho na calçada, nem o malabarista de fogo no sinal merecem três ou quatro linhas de texto. Penso nisso enquanto oriento o taxista a parar na recepção do hotel: "Ali, ali, moço. Atrás da baleia esguichando água."
escrito por Paula 10:11 AM| |

Segunda-feira, Outubro 24

Cidade lagoa
(Sebastião Fonseca e Cícero Nunes)

Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Deste o tempo da vovó

Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró

Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí

Toda cidade é uma enorme cachoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi

Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo pára
Todo trânsito engarrafa

Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n¿água até o pescoço
E peça a Deus pra ser girafa

Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai

E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai


escrito por Paula 10:36 AM| |

Sexta-feira, Outubro 21

Não gosto de armas.
Não acho este referendo produtivo.
(Outros referendos são bem-vindos. Que tal saber a opinião da população sobre temas polêmicos como o aborto? )
Não estou muito certa do meu voto.
Não gosto de armas.
Não gosto de armas.
Não gosto de armas.
Não gosto de armas.
Não gosto de armas.
Não vou anular o meu voto no referendo.

Por enquanto meu voto é sim ao desarmamento.
escrito por Paula 3:23 PM| |

...
A minha liberdade se chama Yasmin.
Vou dormir mais tranquila, e SuperNanny já não me parecerá um seriado de terror.
Ufa.

escrito por Paula 3:16 PM| |

Rosa vermelha


Gosto de rosas. São simples, tem um cheiro ótimo e enfeitam a casa.
Isto é uma boa preocupação quando se é responsável por uma casa.

Quando a máquina de lavar roupa alaga tudo é chato.
Confesso que fiquei um pouco traumatizada.

foto: Tirada pela Kat lá em casa.



escrito por Paula 12:23 PM| |

Sexta-feira, Outubro 14

Rio e/ou Poço

Quando tu, na vertical,
te ergues, de pé em ti mesma,
é possível descrever-te
com a água da correnteza;

tens a alegria infantil,
popular, passarinhadeira,
de um riacho horizontal
(e embora de pé estejas).

Mas quando na horizontal,
em certas horas, te deixas,
que é quando, por fora, mais
as águas correntes lembras,

mas quando à tua extensão,
como se rio, te entregas,
quando te deitas em rio
que se deita sobre a terra,

então, se é da água corrente,
por longa, tua aparência,
somente a água de um poço
expressa tua natureza;

só uma água vertical
pode, de alguma maneira,
ser a imagem do que és
quando horizontal e queda.

Só uma água vertical,
água parada em si mesma,
água vertical de poço,
água toda em profundeza,

água em si mesma, parada,
e que ao parar mais se adensa,
água densa água, como
de alma tua alma está densa.

(João Cabral de Melo Neto)
escrito por Paula 5:22 PM| |

Assim disse o Paulo

Ele cruzou as pernas. O corpo tencionou para esquerda. Uma das mãos em seu colo, e a outra seguindo o antebraço apoiado na cadeira. Ele não deveria sorrir. Entretanto, sorriu. Somente com os lábios. Fala devagar, percebo como o seu tempo é tão diferente do meu. Quando eu entrei na sala iluminada por esta luz amarelada, e mirei o estofado vermelho, senti aquele cheiro do conhecido, do que me conforta. Tudo o que ele diz parece escorrer de sua boca como o mel, que as abelhas fabricam cotidianamente sem saber da existência do amargo. Ele não sabe, ou sabe, que o que faz e diz, pertence à esfera das coisas simples e sublimes, mas que há pessoas que simplesmente não enxergam. E até isso ele sabe. E só por isso é capaz de dizer tanta obviedade generosamente sem temer o ridículo. Se fosse tomado por um espírito-ostra, guardaria para si todos os seus pequenos segredos como se guardasse pérolas valiosas. E, então, colares enfeitando os pescoços tristes das ruas não seriam frequentes.

Ora, ontem me sorriu do canto da sala, e sussurrou para que eu fizesse como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar. Eu sorri de volta muito agradecida pelo medicamento, e prometi voltar. Voltarei sempre, e sempre, pois ele está em cada esquina do caminho, e em vários caminhos, onde seus pés jamais imaginaram sentir o chão. De pedra, de barro, de areia. Ele não sabe, ou sabe, que diferença faz. As suas palavras chegam onde há ouvidos consentindo a entrada das águas.

Certa vez disse, me chamando de Maria, que é preciso preservar o bom-humor - "Todas as pessoas devem ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor que se gasta na rua com os outros.; uma média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinha, para perdoar a si mesma e rir de si mesma; e por fim, uma CAIXINHA PRECIOSA, muito escondida para as grandes ocasiões. Eu chamo de grandes ocasiões os momentos nos quais a gente sofre a tentação de achar que são fracassos ou triunfos. Muito cuidado com as grandes ocasiões."
As grandes ocasiões são descaralhamentos da vida, oras. Bem como ele disse certa vez, que de tempos em tempos há o descaralhamento inevitável, que muda o rumo dos ventos: "Nem sempre a mão domina o leme dos caminhos. Tem vez que endoida o cata-vento dos destinos. São, nessas horas, mais comuns os desatinos. Queimam-se os mapas, os faróis, os pergaminhos."

"Meu tempo é hoje, não existe amanhã pra mim." "O mar não tem cabelos que a gente possa agarrar." "O quadro é um mar quadriculado, sem ondas, parado, porém de marés, às vezes um passo mal dado, um lance apressado, resulta em revés."

Salve, ele! "As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender."

(trechos de Paulo Mendes Campos, Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro)

escrito por Paula 12:06 PM| |

Quinta-feira, Outubro 13

Moraes de repente
Dia 21 tem lançamento do novo disco do Moraes na Feira de São cristovão.
escrito por Paula 11:43 AM| |

boa companhia

Folhear uma antologia, que reúne um lote diversificado de autores, é para mim como sentar à beira de um rio para pescar descompromissadamente. Não tem como ficar íntimo de todos os autores de uma vez só [tirando aqueles já eleitos como queridinhos]. São dois ou três peixes fisgados no anzol por pesca. Numa seleção híbrida, como no livro boa companhia, as chances disto acontecerem aumentam, e muito. São consagrados de diversas épocas e contemporâneos, de variadas vertentes, tudo ao mesmo tempo.

Do livro pesquei a vontade de ler Elsie Lessa, os motivos não são traduzíveis de tão pequetitos, mas o interesse surgiu depois de ler a dobradinha de crônicas "Um quarto de rapaz", da autora, e "Quarto de filha", do filho da autora, Ivan Lessa.

E pensar que esse menino um dia casa e vai levar essas noções de arrumação para a infeliz da esposa, e que juízo, que juízo vai fazer esta moça de mim, meu Deus do céu! Há bem uns quinze anos que este problema me atormenta, tenho trocado confidências com as amigas e há várias opiniões a respeito. Umas acham que um dia dá um estalo de Padre Antonio Vieira na cabeça desses moleques e passam a pendurar roupa, e tirar pó de livro, desamarrar o sapato antes de tirar o pé.
Pode ser. Deus permita! Mas que agonia enquanto isso não acontece.

(Um quarto de rapaz, de Elsie Lessa)
escrito por Paula 11:42 AM| |

Segunda-feira, Outubro 10

Árabe de araque

Influenciada por Mil e uma noites, e motivada pela desculpa que inventei para justificar o meu nariz, assumindo uma falsa identidade árabe, me comprometi a fazer um almoço típico em que receberei mami na casa nova para comemorar o seu aniversário.

Se alguém souber o nome do tempero-segredo que é utilizado para fazer aquelas cebolas do arroz com lentilha, pleaaaaase, deixe aqui no comentário.

Bom, se eu tivesse boa memória, lembraria do segredo que me foi dito por um mestre da culinária lá em Seropédica, na casa do sambista, mas... Raios. O pior é que pode dar tudo certo mesmo sem o tempero-segredo, entretanto vai ficar aquela dorzinha como se eu tivesse esquecido o mais importante da receita.

escrito por Paula 9:43 PM| |

Chifre e pane no elevador
Só acontecem com quem tem muito medo.
Tenho certeza.

escrito por Paula 9:05 PM| |

Quinta-feira, Outubro 6

Sossega coração
[Achei simpática a citação a Paulo Mendes Campos na crônica do Xico Sá para o livro Boa Companhia, que li no avião voltando de Brasília ontem.]

(...) que se beije o olho de quem dormir primeiro, como sempre guardo as minhas mulheres, até com uma rezinha baixinho para nunca acordá-las e sempre protegê-las, ô Deus guarde esta costela de Antonia colada à minha e que esse suorzinho seja o SuperBonder possível, a resina mais grudenta, que nos livre do fim, amém. Mas o amor acaba, meu filho, sopra um anjo pousado no ombro do Paulo Mendes Campos, que me diz baixinho, sossega, menino, esse coração.

...
escrito por Paula 5:45 PM| |

Segunda-feira, Outubro 3

Como uma luva
Quando as bobagens randômicas caem como uma luva, eu quase deixo a minha vida fluir baseada em conselhos em astrológicos.

O grande ponto do momento, Paula, é você entender o que lhe desagrada e perceber como não é difícil resolver tais questões, com as atitudes apropriadas e justas.


escrito por Paula 11:18 AM| |

Desde que sim eu vim...


Âmbar
(Adriana Calcanhotto)

Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos


escrito por Paula 9:51 AM| |

Domingo, Outubro 2

Nas nuvens
(Fátima Guedes)

Chega de chorar sozinha
eu sou igual a todas as mulheres
Eu posso resistir à tentação,
é só uma paixão
Ninguém sabe

Que eu sonho te encontrar um dia
passar a tarde
em sua companhia
fazendo amor que nem onda do mar
Onde é que eu vou parar?
Ninguém sabe

Tem hora que eu penso
que vai valer a pena
Tem hora que eu sointo
que falta coragem
Se eu dormir nas nuvens
e acordar serena
E se outro amor me levar
pra outra viagem

escrito por Paula 9:33 AM| |


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