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Sexta-feira, Abril 29

 
Que sei eu? A vida é um sonho; ao dormir, estamos despertos, e ao despertar, adormecemos. Nada torna um homem mais temível, mais implacável, do que a faculdade de ver as coisas. Melhor nada dizer que deixar de dizer o necessário.

(Paulo Mendes Campos em Como disse o homem)

* * *

Se não fosse ele, se não fosse a dor, eu nada veria.
Serei eternamente grata, e ele sabe.


escrito por Paula 10:14 AM| |

 
Essa eu não ouvi não. Aliás, nem tenho o disco, mas deu vontade de postar...

Você, você
Guinga - Chico Buarque

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?

escrito por Paula 10:01 AM| |


Quinta-feira, Abril 28

 
Ainda o Chico...


Fantasia
Chico Buarque

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão

Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia

Imagem: http://www.prof2000.pt/users/misabel/blog/danca.jpg

escrito por Paula 10:45 AM| |

 
Dores de amores
(Luiz Melodia)

Eu fico com essa dor
Ou essa dor tem que morrer
A dor que nos ensina
E a vontade de não ter
Sofrer de mais que tudo
Nós precisamos aprender
Eu grito e me solto
Eu preciso aprender
Curo esse rasgo ou ignoro qualquer ser
Sigo enganado ou enganando meu viver
Pois quando estou amando é parecido com sofrer
Eu morro de amores, eu preciso aprender

escrito por Paula 10:42 AM| |


Quarta-feira, Abril 27

 
Eu sei que o contexto desta música é outro, mas...

Roda-viva
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)


A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)


O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)




escrito por Paula 9:56 AM| |


Terça-feira, Abril 26

 
Ainda ouvindo Chico. Fazer o quê se tenho poucos vinis bons...
Engraçado é que nem precisa saber que é parceria com Djavan. Basta ter bom ouvido!

Tanta saudade
(Djavan - Chico Buarque)

Era tanta saudade
É, pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente, menina

Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem

Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração

Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina

Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte, é monte atrás de monte, é
monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo, é um mundo e dentro
um mundo e dentro um mundo e dentro é um mundo que me leva


escrito por Paula 11:43 AM| |


Segunda-feira, Abril 25

 
Cd player quebrado. Sou salva pelo toca-discos, e posso ouvir alguns vinis nestes dias um tanto reflexivos.

Anos Dourados
(Tom Jobim - Chico Buarque)

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

escrito por Paula 9:29 AM| |


Sexta-feira, Abril 22

 
Te dei meus olhos pra tomares conta...

Eu te amo
(Tom Jobim - Chico Buarque/1980)

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir


escrito por Paula 9:41 AM| |


Quarta-feira, Abril 20

 

Come rain or come shine
(H. Arlen / J. Mercer)

I¿m gonna love you, like nobody¿s loved you
Come rain or come shine
High as a mountain, deep as a river
Come rain or come shine

I guess when you met me
It was just one of those things
But don¿t you ever bet me
¿cause I¿m gonna be true if you let me

You¿re gonna love me, like nobody¿s loved me
Come rain or come shine
We¿ll be happy together, unhappy together
Now won¿t that be just fine

The days may be cloudy or sunny
We¿re in or out of the money
But I¿m with you always
I¿m with you rain or shine

escrito por Paula 11:27 AM| |

 
Há alguns meses pensava em postar por aqui um texto sobre Memória x Imaginação do poeta gaúcho Carpinejar, sempre me esquecia. Lá vai então...

CILADAS
(Fabrício Carpinejar )

Quando tua namorada ou namorado diz que podes confiar e contar, que nada mudará na relação, é mentira. A sinceridade te inspira a abrir os segredos para te jogar em seguida na parede. O amor é um jogo de convencimento e persuasão que termina invariavelmente em desconfiança. A pergunta que é feita por ela ou por ele de modo inocente não é uma pergunta, quem dera, pouco guarda da modéstia de uma pergunta, que aceitaria a contrapartida sem ofensa. A pergunta é uma suspeita. Não se deseja uma resposta, e sim "a resposta". A resposta deve somente confirmar uma evidência. A resposta é a evidência que estava sendo cavada.

Sigilo não existe. Quem guarda segredo apenas fingiu que não falou. A diferença é que alguns fingem bem. A pessoa pede a franqueza e afirma que tudo aceitará, que tudo permitirá, para julgar e atacar quando descobrir tudo. O charme inicial e a caridade do gesto são ciladas. Entra-se em uma investigação, não em uma discussão e diálogo. No fundo, há a intenção de conspirar contra aquele amor, de atestar que ele ou ela não presta, de que foi um erro. É incompreensível verificar que o ceticismo surge nos melhores momentos, como a avisar que não pode ser verdade, que a felicidade errou o endereço. Em cada um pisca o dispositivo antifelicidade, detonado para expulsar a intimidade e possíveis alegrias.

Se alguém se torna imprescindível, a estima arruma um jeito e um pretexto para mandá-lo logo embora. Algo que ocorreu no passado mais longínquo vai afetar como se tivesse acontecido há poucos minutos. Se a mulher fala que já trepou com três homens ao mesmo tempo, o cara concluirá que ela é promíscua e terá medo de ser apresentado aos antigos parceiros em alguma festa. Amar é uma paranóia interminável, porque não se tem aquilo que se é e não se pode ser aquilo que se tem. Difícil encontrar no amor o meio-termo, que não resulte em posse, muito menos em indiferença, que não desemboque em obsessão ou em tolerância. Desde quando não se pode ter passado e experiência? Não dá para compreender que casais acreditem que o par tem que ser um objeto lacrado, um carro zero, inviolável. Se ela transa bem é que aprendeu com antigos namorados, é óbvio. E daí? Que bom. Ambos definirão o seu dialeto a partir de idiomas anteriores. Chega de autoritarismo, de transformar a casa em um campo de desmemoriados.

Não se fica generoso com amor, fica-se egoísta. Só se pensa a princípio no nome de quem ama para depois só pensar no próprio nome. O começo é um desapego irrestrito, o final é uma proteção absoluta. No início, há a renúncia em favor do bem-estar da nova paixão. No decorrer da convivência, passa-se a criar mecanismos de defesa para se afastar.

Os opostos se atraem, mas não conseguem permanecer juntos (os parecidos se repelem e ficam juntos). O que parecia maravilhoso e definitivo, a sedução da diferença, a atração de um continente desconhecido é substituído pela tentativa de moldar o outro aos seus gostos. O respeito desanca em dominação. Não importa que ele saía com os amigos, que jogue futebol, que tenha grandes amigas desde que ele deixe, pouco a pouco, de sair com os amigos, jogar futebol e perder de vista as grandes amigas.

Ainda com complicações, é possível ser casado com a memória. De maneira nenhuma com a imaginação. A imaginação é sempre solteira. Se o marido não liga, demora para chegar, é evidente que a imaginação o viu com duas ou três mulheres em meia hora. A imaginação não aceita a confiança, procura o pior para depois gritar que já sabia. "Eu sabia" é a frase mais irritante de todo relacionamento. Mostra arrogância e, o mais grave, sinaliza a certeza do fracasso.


escrito por Paula 11:27 AM| |


Terça-feira, Abril 19

 
Algo realmente fora dos meus planos mudou um pouco o meu cotidiano, motivo desta minha ausência.

Há três semanas assumi a coordenação de uma equipe formada por 8 pessoas. Se eu não estivesse tão insegura, até teria comemorado. É que não recebi a função como prêmio, não. Tenho encarado como desafio. Estou usando relógio (floridinho) e agenda. Isto já quer dizer muito sobre uma geminiana avoada como eu. Já nem posso ignorar as pessoas colocando fone e incorporando o meu autismo protetor. Muita coisa mudou, e algumas ainda venho tentando assimilar. Entonces, me perdoo por ter deixado de atualizar isto aqui que vinha me fazendo tão bem, e por ter sacrificado alguns relacionamentos. That's all. Aos poucos vou tentando dar conta das coisas que deixei meio suspensas.
* * *
obs: Beijo para os queridos que deixaram mensagens aí em baixo, tá bom?!
escrito por Paula 1:16 PM| |


Segunda-feira, Abril 18

 

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é "
(Caetano Veloso)
escrito por Paula 1:27 PM| |


Terça-feira, Abril 12

 
So far away
Estou distante, e não é distante só do blogue. Morreu o Euclide condutor do bonde, e eu só soube bem depois. Gabriela cresceu uns dois centímetros. Arrancaram o número 1368 da ala de Internação da Clínica de Psiquiatria.
* * *
Apesar da minha distância, pude ouvi-la cantarolando "Mania de você". Guardei este eco. É só um eco, mas se não guardamos essas bobagenszinhas, lá na frente fica difícil de fazer um inventário próximo do real.
escrito por Paula 11:50 AM| |


Sexta-feira, Abril 1

 
Grão em grão
Consegui finalmente arrastar um povo daqui para o Clube do Choro. Fui persistente mesmo com os que falavam do chorinho de forma pejorativa, como se fosse ruim, mas porque eu sabia que era puro preconceito.

Entendo um cara que só gosta de funk, pagode paulista e outras coisas dizer que não gosta de chorinho mesmo sem ouvir, mas uma pessoa que conhece música de qualidade ter este preconceito, ah eu não aceito não. Fico tentando fazer com que a pessoa pelo menos ouça algo que valha a pena.

A noite de ontem foi ótima. O choro conta com mais 6 pessoas como público. Pena que tenha que ser assim de grão em grão.

ps: Este post abaixo não deveria ter sido publicado. Não terminei. Depois me deu uma preguiçinha...
escrito por Paula 2:35 PM| |


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