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Segunda-feira, Fevereiro 28

 
Acho que derreti.
Ar tem sim, até uns 3 minutos atrás eu ainda respirava.


escrito por Paula 11:44 AM| |


Quinta-feira, Fevereiro 24

 
Amavam-se tanto, mas tanto
que nem cabiam mais em si
Foram morar um no outro.

(Uns, Luis Pimentel)


escrito por Paula 10:12 AM| |


Quarta-feira, Fevereiro 23

 
Quarenta e quatro lugares
Como são ariscos os motoristas de ônibus da Tijuca. Preenchem com um xis, burocraticamente, o item BomDia do formulário tarefas do cotidiano.

Numa tarde desci de Santa Teresa(onde moro oficialmente) na linha Silvestre-Castelo, e presenciei um episódio que me fez mais de acordo com a fragilidade humana, me fez viva e atenta para a debilidade vulgar do dia a dia. O Bruno dirigia o micro-ônibus(em Santa todo ônibus é micro), um dos meus personagens preferidos da rota casa-trabalho-casa. Machista. E aqui o machista é pejorativo mesmo. Eventualmente divaga sobre a não cornitude feminina: mulher não é corna. Corno, para ele, é adjetivo aplicável apenas aos homens. Bruno fala alto, usa óculos escuros. Guardada as devidas proporções, é um Jonhy Bravo acariocado. Malandro, pega todas, o comedor. Entretenimento para mim é viajar com ele fazendo pose para as menininhas no ônibus. Mata-me de rir.

Eis que neste dia, o ônibus transportava um epilético em crise, sem que soubéssemos ainda, até que na ladeira próxima a Francisco Muratori, o homem despenca do banco, e cai estirado no corredor ao meu lado. Paralisei, congelada como quem assiste a um filme de ação, permaneci assim até saltar no meu ponto na Avenida Almirante Barroso. Passiva a tudo, vi quando o Bruno saiu do banco do motorista, pulou o capot e veio olhar o homem. Por sorte uma vizinha minha, que é enfermeira, estava no ônibus e ajudou nos primeiros socorros.

- Motorista. Ô Motorista, fique calmo. Desce do ônibus e vai buscar um médico.

Outra sorte é que na rua em que estávamos tinham dois hospitais. O motorista parecia ter ficado surdo.

- Ô motorista. Desce. Vá buscar o médico.

O médico chega, pré-examina o epilético, e este sai andando com o doutor para o hospital.

- Enfermeira, e agora? O que eu faço. O que eu faço, enfermeira? Ele caiu. Você viu? Ele caiu.
- Motorista, fique calmo. Arruma papel e caneta.
- Eu não estava correndo. Você viu, não viu? Ele caiu. Ai, o meu coração.
- Motorista ele estava tendo um ataque epilético. Colhe nome completo, telefone e identidade de três passageiros.
- É. Ele estava passando mal. Caiu, não é? Meus deus. Isto nunca me aconteceu.
- Motorista, você precisa de três testemunhas. Toma, anota.
- Enfermeira, obrigada, obrigada. Por deus, enfermeira, obrigada de coração. Tenha um Bom dia.

Bruno, naquele momento para mim, era o Uni, aquele unicorniozinho do desenho A caverna do dragão. Desamparado, tinha as pernas bambas. Exemplar único de uma espécie em extinção. Não parecia falar mais, mugia. Bruno era o unicórnio.

Outro dia desci no Silvestre-Castelo conversando com ele sobre o acidente. O epilético processou a empresa de ônibus, foram úteis os nomes colhidos das testemunhas. E por conta do processo, o Bruno foi o único que não recebeu gratificação no final do ano. Mas ainda sorri, ainda ostenta a pose. Disseram-lhe que seu desempenho vem melhorando, e talvez até ganhe uma linha de ônibus 44 lugares fora de Santa.

Sabe, o problema da Tijuca é que tem epiléticos demais, grávidas demais, favelados demais, carolas demais, cornos demais. Tem advogados, soldados, estudantes, médicos, músicos, mendigos, poetas, aposentados, dentistas, putas, suicidas, anônimos, assaltantes demais. A Tijuca é super-lotada. Tem tudo demais. E ninguém vê mais nada, porque há muito para ser visto a todo momento. A solução para re-humanização deste bairro é a condenação do 44 lugares.

escrito por Paula 10:45 AM| |


Terça-feira, Fevereiro 22

 
Lua

Janela aberta
A Lua, sem licença,
entrou.

escrito por Paula 10:34 AM| |

 
O tímido e a manequim
(Paulinho da Viola)

Se ela passar por mim olhando assim
Não sei se vou conseguir me controlar
Meu coração dispara feito um tamborim
Quando ela tira a minha paz
Com aquele jeito de andar

Às vezes acho que ela sabe que eu existo
Mas nem por isso eu vou me declarar
Pois tenho medo de ficar
Na hora tão aflito
Inibido pela força de um olhar

Eu quis saber o que ela faz
Ouvi de dentro aquela voz dizer:
Não seja tão audaz
Ela é manequim
Já fez desfiles em Paris
Não vai ouvir conversa mole
De quem toca cavaquinho
É melhor não insistir
Para não se machucar
Este caso pode ter um triste fim
Não seja tolo, vai dar rolo
É jogo de aprendiz
Ela não é flor pro seu jardim


escrito por Paula 10:24 AM| |

 
Almanaque dos 80
Mundo feliz: Sr. Felizardo, a filha Alegria, o filho Sorriso, a mãe Dona Felicidade e cão amigão.
Vontade de abrir e fechar a casinha do cachorro, subir o elevador, colocar o carro na garagem, abrir a portinha da varanda...


Imagem: galeriadosbrinquedos

escrito por Paula 9:51 AM| |


Segunda-feira, Fevereiro 21

 
Perfil a lápis(Paulo Mendes Campos)
Morei em Ipanema, passei para o Lebon, virei serrano. Vou e venho.
Amo e desamo. As palavras me pegam. No fim resta o silêncio: sou vidrado na minha dor.

A ecologia era esta: vovô me dava doces. Vovô me deu um menino Jesus de barro. Mamãe comprava palmito para a minha salada de alface. Papai fazia cadernos para que eu estudasse. Tia Zizinha cortava-me as unhas com muito carinho. Tia Nininha costurava meus calções de futebol. Tio Valdemar me levava para ver o Atlético, tio Tatá me dava prata de cinco mil-réis. Tio João esgrimava comigo no fundo do quintal. Tio Antonio fez uma horta Meu primo Hélio me deu meu primeiro cigarro. Dolores, minha mãe regra-três, me defendia dos capetas maiores. E Isabel, também regra-três, olhava para mim com doçura e suspirava: "Coitadinho dele!"

No sentido publicitário do verbo, vou me vendendo depressa a idéias, pessoas, paisagens, climas, livros, objetos - o que existe no mercado. Quando morei em Ipanema fui Ipanemense convicto; passei a ser lebloniano; fiz uma casa na serra, virei serrano.
Nunca tive centro de gravidade mental ou psíquico. Vou com todo mundo, todas as têmperas, todas as cores, todos os pratos do cardápio. Copiei um grifo de Stendhal: "Nunca tive consciência nem sentimento moral." Fiz meu o verso de Murilo: "Sou firme que nem areia em noite de tempestade."

Dou a alma pelo azul e traio o azul com o castanho.

Nasci para ser mundano, apesar de toda a minha desconfiança. Se soubesse dançar bem, não sairia do dancing. Amo acima de todas as coisas a sobriedade dos sentidos. Mas dou um boi pra ficar ubriaco.

Não posso contemplar cartaz de propaganda turística sem me derramar pelas ravinas glaciais da Suíça, ou passar o verão no Marrocos, ou flanar pelo chiaroucuro de Praga, ou estender-me como roupa branca de Portugal. mas sou capaz de trocar tudo por entre um sono entre o jantar e a velhice.

Não é preciso qualquer eloquência para persuadir-me. Nasci convencido. Amarro minhas mãos para não bater palmas aos discursos idiotas. Prendo meus tornozelos a pesadas grilhetas para não frequentar locais absolutamente intoleráveis.

Fecho meus olhos para não sorrir a quem não vai comigo ou me detesta; mas às vezes já é tarde.

Também às vezes me agrido porque também amo a agressão. Às vezes choro porque chorar é um prazer irreprimível e o mundo gosta de lágrimas. Li os clássicos com saudade dos românticos.

Perdôo a mim mesmo porque é doce perdoar. E também me destruo porque é duro destruir. Sou vidrado na minha dor.

Estraçalho uma bacalhoada com um vigor lusitano, mas sei dedilhar uma travessa de caracóis com um racionalismo gaulês. E talvez gostasse de passar a pão e água.
A chuva me pega com facilidade. E quando chega o sol, faço-me uma ode de carne e vou tomar sol.
Se me dedico dois minutos a imaginar o tamanho da terra, quero ir às honestas canseiras da lacoura, sou lavrador, bicho do chão, raiz. Mas já dei comigo consultando livros de mineralogia. E saio sempre voando quando passa o avião.

Pobre ser mercurial, escorro em tudo, rolo, desato-me e depois me recomponho, para escorrer de novo, rolar, desatar-me.

às vezes dou comigo comprando uma casa no subúrbio, mas a poluição me desanima: compro um rancho nas lonjuras de Góias. Ou abro uma salsicharia na Avenida Ipiranga.

Vou e venho - é um direito, é uma obrigação que me imprele, que me abusa, que me pertuba. Amo e desamo. Faço e desfaço.

Vi em Shakespeare um tonto quando li a antipatia de Tolstoi. No dia seguinte achei o russo um cego.

Passo para o lado de quem me ataca. Desculpo o bem e o mal que me fazem.

Redigindo publicidade, acabei me apaixonando pela técnica d efabricação de certos produtos.

As palavras me pegam. As imagens me pegam. As inflexões me pegam. Viro amigo de infãncia de qualquer desconhecido.

O mal e o ruim frequentemente ganham de mim. Chego a morrer com simpatia.

No fim de tudo resta o silêncio, que é a minha liberdade. O meu vazio.
Serei o bobo do universo?
Nem isso: só um bobo. Mas gosto de ser bobo.


escrito por Paula 1:58 PM| |


Sexta-feira, Fevereiro 18

 
Encontros
Uma boa conversa de bar quarta-feira me levou ao conto A terceira margem do rio de Guimarães Rosa, e à uma pergunta: como vivi todo este tempo? Exagero, certo. Sou exagerada. Hoje pela manhã lendo Nelson Rodrigues percebi que não tinha jeito. Eu e o Rosa nos toparíamos por estes dias.
***
Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos.
(A Terceira Margem do Rio, Guimarães Rosa)

escrito por Paula 2:59 PM| |

 

O gato
Tem sete vidas.
Soubesse contar,
miava pra dentro.
escrito por Paula 2:51 PM| |


Quinta-feira, Fevereiro 17

 
O amigo da amiga da amiga também brinca de haikais. Achei uma delícia, até porque estou adorando a brincadeira nova(para mim, claro.).

Moço é o SarCé
Amostra gratis aqui,
tem mais .

Oba!
Ela quer brincar de gangorra.
Eu quero ir
à forra.

Um Guerra
Nasci só
e ainda estou aqui -
looking for.

Eu não disse
Palavras
não têm tempo.
Sempre chegam atrasadas.

escrito por Paula 1:07 PM| |

 
Pipa

Pipa no alto
Lata com linha e cerol -
Infância é corte.

(Imagem: Regia Agrella)
escrito por Paula 11:57 AM| |

 
Fera (Para a de Thuin)

Fera ferida -
Na sombra a solução:
A vida cura.

obs: Pelo Roberto, Erasmo, Bethânia, Marquinhus e Baiano.
escrito por Paula 11:00 AM| |

 
Mariposa

Mariposa vê luz.
Sabe que cega,
no entanto segue.
escrito por Paula 10:42 AM| |


Quarta-feira, Fevereiro 16

 
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
(Para viver um grande amor, Vinícius de Moraes)
escrito por Paula 10:28 AM| |

 
Bicicleta

Bicleta nova
Pé no pedal, mão no guidon
Paixão sem freio

obs: Continuo perseguindo os haikais. Contando sílabas, lembrando o que é paroxítona e brincando de usar metáforas.
escrito por Paula 10:24 AM| |

 
Abacaxi

Saudade -
Abacaxi vestiu sorvete
Degelou em prosa.

obs: Dica para quem gosta de um café à tardeinha no Centro:
um sebo na Rua da Carioca tem cafés aromáticos e sorvetes servidos em frutas.
Se não me engano o lugar chama Antiquário.

escrito por Paula 10:11 AM| |


Terça-feira, Fevereiro 15

 
Vizinhos
Morar de frente para a ala de internação de uma casa de psiquiatria tem suas vantagens: você se sente acolhido. A loucura perde o gosto amargo de como a dizem. A breve intimidade faz crer que a lucidez espalhada aos quatro cantos tem sabor muito menos doce que a simplicidade desta espontânea.

Tentava ler sentadinha em frente a minha mesa nova, quando um dos "vizinhos" manifestou sua intenção de chamar a minha atenção cantarolando trechos de músicas com uma voz engraçada, quase me fazendo rir. Não dei bola, não. Concentrada num Silviano Santiago, fiz-me séria, seríssima. Porque quem não se assume louco, gosta de se fazer de besta mesmo. Eis que ele dá a sua cartada final e imbatível antes de sair de cena:

Não ligue pra essas caras tristes
Fingindo que a gente não existe
Sentadas são tão engraçadas
Donas das suas salas

(Beth Balanço, Cazuza)

escrito por Paula 12:06 PM| |

 
Vida no pântano

No pântano -
A beleza duma flor
Causa espanto.

obs: Brincando mais um pouco de Haikai. Este inspirado em foto e título de Paulo Lara, encontrado na rede.
escrito por Paula 10:33 AM| |


Segunda-feira, Fevereiro 14

 
Tentando um haikai...
Alto da Boa Vista (Para Jojó)


Trilha pro mar -
Cuidado com a jaca
Caem de maduras.


escrito por Paula 4:04 PM| |

 
Carnaval
Teve carnaval, teve sim senhor. Memórias e mais memórias para guardar, não sei bem para quê, por instinto guardo. Talvez para contar para os netos, quem sabe? Talvez seja isto, alentar a velhice inventariando as memórias. Será? Por via das dúvidas simplesmente guardo.

Às vezes me pego contando umas memórias que são mais felizes ou mais tristes que o realmente acontecido. Exagero. Mas este carnaval, não. Quero guardar tudo exatamente como foi. Droga é que eu não consigo escrever uma nota que valha. O carnaval mais intenso e pleno. Tive aprendizado também, pena que posterior a um deslize. Que seja. Não quero contar para os netos apenas as histórias terrivelmente felizes, sem deslizes. Não quero iludí-los, que enxerguem em cada uma das minhas rugas o que ali foi impresso. Olho para uma velhinha de olhos permeáveis, e pouco enxergo nas linhas de sua face. Nela só vejo a velhice nua e crua. Quantos carnavais será que passou?

As minhas memórias, eu guardo. O que vivo nunca é apenas para guardar. Apesar de sinceros, todos os meus atos são sinceros(inclusive os mais fétidos), percebo que preciso ainda mais me perder de vista. Quase lá. Quantos carnavais ainda irei passar?

Memórias
1. Os olhos da amiga no Carmelitas.
2. Bola Preta na primeiro de Março, especificamente na Primeiro de Março.
3. Abastecimento no Bar Getúlio.
4. Metrô a caminho do Barbas em Botafogo.
5. Meu tombo.
6. Banho de água do Hidrante no Boitatá.
7. O pai e o banho.
8. Resquício de um passado recente.
9. A mãe da Maya.
10. Incursão em Ipanema, blargh!
11. A retomada.
12. Feminices.
13. Rancho Flor do sereno, e o mosquito que ainda incomoda.
14. Monarco na Avenida. Questão de honra desfilar com garra para um Velha Guarda da Portela, ainda mais depois da tragédia.
15. O primeiro brinde, no mesmo cenário, e a constatação de que o mosquito nem incomoda tanto assim.
16. Wilson Moreira na Lapa.
17. A catarse de Água de chuva no mar com Wanderley Monteiro.
18. O Borel vibrando pela Unidos da Tijuca.
19. O lençol rosa (quase choque).
20. Fim da leitura de O casamento de Nelson Rodrigues.
escrito por Paula 10:14 AM| |


Sexta-feira, Fevereiro 4

 
É verão, verão, verão
Se Encontros e despedidas fica com a classificação de sintese da minha coletânea de músicas deste verão, uma outra precisa ser destacada na coletânea: Verão, que emprestaria um trecho para o título: É verão, verão, verão.

Verão
( Rosa Passos/Fernando de Oliveira )

Cinco pranchas deslizam nas ondas
E os surfistas parecem voar
Tem veleiros nos verdes ao longe
E o nascente promete um luar

Gaivotas disparam em seta
Num mergulho sem freio no azul
E eu me sinto, assim como o poeta
Água viva dos mares do sul

Tem conversas e risos nos bares
E lilases na tarde que finda
Passam ônibus cheios de olhares
E um desejo de novo me anima

Eu desejo o fervor de outros tempos
E a beleza dos dias de então
Chove tanto nos meus sentimentos
E é verão, verão, verão
* * *
Mais música para a coletânea
Além de Encontros e despedidas, Verão e Olha, Vinte anos blue entraria também na minha coletânea verão. Pelas imagens da Elis cantando e contando sua relação com a música, pelo momento em que assisti isto e pelo futuro blue.

Vinte anos blue
(Sueli Costa e Vitor Martins)

Hoje de manhã quando acordei
Olhei pra vida e me espantei
Eu tenho mais de vinte anos
Eu tenho mais de mil perguntas
Sem respostas

Estou ligada num futuro blue
Os meus pais nas minhas costas
As raízes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros

O sangue jorra pelos furos
Pelas veias de um jornal
Eu não te quero, eu te quero mal

Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de vinte anos
Eu quero as cores e os colírios

Meus delírios
Estou ligada num futuro blue

escrito por Paula 2:36 PM| |

 
Café com rebu é coisa do passado
Trabalho com tecnologia, mas por ser meio alienada volta e meia sou surpreendida com as novidades do mercado. Amiga Marcita-Pá-nela foi à Quadra da Vila Isabel e voltou com as unhas pintadas com a bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, disse que foram impressas. Já achando que a mulher tinha bebido além da conta, duvidei: " - Como assim imprimiram isso na sua unha, tá doida?"

A novidade no mercado é a impressora a jato de tinta para decorar a unha com desenhos estilizados. A unha é filmada para capturar as dimensões e o formato da unha, e depois de alguns processos intermediários como aplicação de uma base, o desenho é impresso.

Tá aí. Enquanto umas amigas descoladas aderem a escova progressiva e unhas impressas, outras deixam de assistir o filme Closer porque o maridão proibiu, poderia incentivar a mulher a fazer "coisas erradas". HÃÃÃÃÃNNNNN!?
* * *
obs1: Informações sobre a impressora de unha no http://www.imaginailbrasil.com.br.

Onde encontrar: Na quadra da Vila Isabel ou no Norte Shopping.
Quanto custa: A Marcita não sabe, porque fez de graça. Sabe como é... pessoa com conhecimentos.
escrito por Paula 11:01 AM| |


Quinta-feira, Fevereiro 3

 
É a vida
Se eu fosse fazer uma coletânea com os hits destas férias de verão Encontros e despedidas seria a música síntese destes dias de muito sentimento à flor da pele. E não é porque é tema da novela Senhora do destino, não. Ela vem acompanhada de uma visão-clipe a ser guardada por muito tempo na minha caixinha de preciosidades: como cenário a praia de Ipanema, show da Maria Rita Mariano, enquanto isso na areia uma pequena, que bem preferia estar na Lagoa andando de bicicleta, ao se tocar do que dizia a letra e associar a história de sua vida, se desmanchava em lágrimas abraçando o pai. Era sua despedida do Rio de Janeiro, e o reconhecimento que o show tinha sido ótimo, bem melhor que pedalar na Lagoa...

Encontros e despedidas
( Milton Nascimento / Fernando Brant )

Mande notícias do mundo de lá,
Diz quem fica.
Me dê um abraço,
Venha me apertar,
Tô chegando.
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos,
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero.

Todos os dias é um vai-e-vem,
A vida se repete na estação.
Tem gente que chega pra ficar,
Tem gente que vai pra nunca mais,
Tem gente que vem e quer voltar,
Tem gente que vai e quer ficar,
Tem gente que veio só olhar,
Tem gente a sorrir e a chorar.

E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem.
O trem que chega
É o mesmo trem da partida,
A hora do encontro
É também despedida.
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar,
É a vida desse meu lugar,
É a vida.

escrito por Paula 11:20 AM| |


Quarta-feira, Fevereiro 2

 
Mesma fantasia
Pedrinho se vestia de bate-bola azul. A Tininha de bruxinha. Eu não me fantasiava de nada não, porque fui uma adolescente muito enjoadinha. Achava cafona, e na verdade não tinha dinheiro. O carnaval era ao redor de um palanque cedido pelo candidato a vereador João Mendes garantindo votos com a comunidade, já que a prefeitura não dava(nem dá!) conta de fazer carnaval em bairros tão esquecidos. A minha empolgação para o carnaval era igual a de várias meninas e meninos do bairro mesmo sem fantasia. Um bairro suburbano pobre é como um condomínio, só que decadente. O play fica em alguma praça, ou bar em que se faça um point, e todo mundo se conhece. A magia do carnaval residia justamente aí: em todo mundo se conhecer. Em fugir daquele grupo de clóvis das ruas de cima, porque alimentávamos uma rixa boba nestas ocasiões festivas. Quais ruas tinham as bandeirinhas de São João mais bonitas, e quais ruas ficavam mais enfeitadas na Copa do mundo. A minha rua era sempre a mais bonita! Que meu padrasto era fera em desenho, pintura e outras engenhocas. Uma espécie de Mac Gaiver consumidor de quinquilharias da feira de Acari.

Carnaval era assim. Andando de cima pra baixo, e de baixo para cima. Cochichos entre as meninas, molecagens entre os garotos. Todo mundo se conhecia, e sempre as mesmas fantasias que acabavam na quarta-feira, mas já fazem alguns anos que meus carnavais são outros. E fiz algumas experimentações até reconhecer que carnaval bom mesmo é o de rua, aqui no Rio, e de preferência no Centro. O ápice do carnaval para mim atualmente é o Cordão do Boitatá. Talvez por me lembrar de longe os meus carnavais suburbanos: todo mundo se conhece. Cochichos e molecagens entre as meninas e os garotos, e todo mundo fantasiado. Aquelas mesmas fantasias de sempre que acabam na quarta-feira. Só que com muito mais gosto que as minhas memórias daqueles idos(nem tão idos assim + ou - 8 anos), e nem pensávamos em palavras como resgate, revitalização e outros assuntos museológicos, como no cordão do Boitatá. E ainda a delícia de usar fantasia, e ver todo mundo do "condomínio" fantasiado. Pena o meu casal predileto no quesito fantasia, o Paulo e a Chris, estarem tão distantes, curtindo o carnaval nordestino.

Só uma coisa me desagrada no Boitatá, recentemente apelidado de Boitachato e Boicota por gente que não encontrou nele graça alguma, ou que se incomodam com as palavras da nova ordem na Lapa: resgate, revitalização e museologia. [ Bem, que fique claro que eu nunca ouvi estas palavras por lá, só porque nos divertimos dançando marchinhas e nos fantasiamos não quer dizer que tenhamos hasteada a bandeira dos malas saudosistas-lapianos. E olha que nem é saudosismo, comos sentir saudade de algo que não se viveu? ] O que me desagrada, como eu dizia, é esta história de se esconder do povão na hora de colocar o bloco na rua. Esconder nem é o maior problema, a grande questão para mim é a incoerência, pois quando o baile é num lugar fechado com ingressos é feita uma divulgação do caramba, e depois quando a festa é democrática... Cadê o cordão?!

Mesmo incomodada com a incoerência lá estarei, tirando onda da minha adolescência mal-resolvida, fantasiada. Aquela mesma fantasia que acaba na quarta de cinzas. Doida para encontrar a minha homenageada, porque carnaval é chacota acima de tudo. Chacota desta vida metida a besta.
Te vejo nos blocos.

obs: Fora o boitatá, devo ir ao Bola Preta e ao desfile em homenagem ao Monarco.
Todo o resto é improviso, se me levam eu vou.

escrito por Paula 2:07 PM| |

 
Salve Iemanjá

Perdi meu anel no mar/ Não pude mais encontrar/ O mar me trouxe a concha de presente pra me dar/
Caiu na goela da baleia/ ou quem sabe o canto da sereia/ ou ainda o pescador achou e entregou pro seu amor


obs: A música não tem nada a ver diretamente com Iemanjá. A associação é maluquice minha...

escrito por Paula 11:11 AM| |


Terça-feira, Fevereiro 1

 
Brincando de Caixinha de música...

Olha
(Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

escrito por Paula 11:45 AM| |


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