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Segunda-feira, Janeiro 31
Madrinha
Compromisso hoje à noite: confeccionar minha fantasia de carnaval...
Panos cor de rosa e verde, e tinta dourada. Não, não sou mangueirense, mas minha homenageada é.
Parangolé Pamplona
( Adriana Calcanhotto )
O parangolé pamplona você mesmo faz
O parangolé pamplona a gente mesmo faz
Com um retângulo de pano de uma cor só
E é só dançar
E é só deixar a cor tomar conta do ar
Verde
Rosa
Branco no branco no peito nu
Branco no branco no peito nu
O parangolé pamplona
Faça você mesmo
E quando o couro come
É só pegar carona
Laranja
Vermelho
Para o espaço estandarte
"Para o êxtase asa-delta"
Para o delírio porta aberta
Pleno ar
Puro Hélio
Mas
O parangolé pamplona você mesmo faz
escrito por Paula 5:27 PM|
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Quinta-feira, Janeiro 27
Dúvida (ou decisão)
A extração do siso ou uma garrafa de uísque para batizar a mesa nova?
* * *
Aliás, mesa nova é a materialização da mudança interna. Como se fosse um corte novo de cabelo, sabe?
escrito por Paula 6:06 PM|
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Segunda-feira, Janeiro 24
Sentada na varanda de caneca e canudinho
Um pacto com furo no dedo e sangue: buscar o portal da quarta dimensão, o da psico-transitoriedade. Pra me trazer até aqui, pro meio das bolhas. Não é por nada não, mas é que aqui é confortável, seguro e tranquilo. Tem paz. Uma paz que ferve. Ora arde, ora anuvia. Gosto do movimento das bolhas, vê-las subindo, descendo e depois espocando no ar. Plim. Não dá pra tocar. Leve, leve. E aí somem. Somem e respigam em um frescor na sua cara. Te fazendo de boba, te deixando de quatro. Só não pode querer guardar a bolha. Ela vai, ela vem suave. Só não tente segurar a bolha. Dá pra soprar. Um momento ou outro explodem. A vida inteira de uma bolha dura um momento só.
Um dia encontrei um homem que me guardava um segredo da minha alma. Como ele podia falar dela com tanta propriedade conhecendo-a tão superficialmente? Todo mundo em um momento da vida depende de um estrangeiro, lembrei. Era transitório, eu sabia. Sempre se sabe. E quanto mais se sabe, mais o é. Um dia encontrei um homem. Até aqui pouco sabe sobre a minha alma. Seus dias gasta fabricando bolhas.
escrito por Paula 4:52 PM|
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Eu nasci para bailar
Abstrai a letra
Vai só no ritmo.
1,2,3 pá. 1,2,3 pá. Porque eu nasci, nasci para bailar.
Ando pensando em fazer dança de salão.
Quem diria.
Logo eu.
* * *
Ei. Não me leve tão ao pé da letra.
Ando cheia de segredinhos.
escrito por Paula 2:41 PM|
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Segunda-feira, Janeiro 17
Seis pontas
Dor nas costas, a perna fraca. Um pouco de febre.
Tudo ligado, tudo conectado. São seis pontas, seis pesos. Seis incertezas. Se uma brilha mais, as outras fraquejam. Minha estrela tem seis pontas. Seis pontas tem esta minha estrela que brilha longe. Preocupação maior para que brilhem na medida exata, nem muito, nem pouco. Apenas brilhem, todas juntas. O centro da estrela tem suficiente para as seis.
Mas olhe: uma se apagou. E sabe o que acontece? Sobra mais luz no meio, uma das outras puxa, e aí já viu. Bater cabeça para o santo errado, me disse. Pára. Brinca um pouco com o AcquaPlay, aqueles botõeszinhos, a bolinha sobe, já já passa na cesta. Pára. Levanta. Sai. São seis pontas. Tem uma doente, não é nada não é nada... vira gripe, se não cuida, pneumonia. Pára. Não é nada, não é nada, fica de cama. Aí já viu... as outras cinco... vão junto. Pára. Lembra da caxumba? Mamãe colocou tudo em cima da cama de casal, até a cadeirinha de alumínio de listras verticais coloridas. Brincar em cima da cama, não encostar os pés no chão frio. Doente, doente. Ei, pára. Se ficar de cama, a estrela apaga. Aí já viu. Esforço dobrado pra ter luz no centro de novo. Pára agora. Já. Tomba mais pra direita, epa! para esquerda agora. Faz de conta luz é fluída. Não é nada, não é nada, este pouco derramado pode fazer falta para outra ponta. Ainda sinto frio. Não é nada, não é nada, bate um vento, o peito aberto, e resfrio. E aí, vai ver... não é nada e... Pega um casaquinho, custa nada.
Dias assim, sei não, recomenda-se uma parada. Não é nada, não é nada, algum movimento.
escrito por Paula 12:20 PM|
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