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Segunda-feira, Dezembro 20
Chico Buarque vai morrer
Não se assuste, Chiquito vai bem, eu é que ando meio fúnebre com pensamentos existencialistas que se resumem a isto: Chico Buarque vai morrer. Tudo morre, tudo acaba. Minha vó morreu, Tom Jobim morreu há exatos 10 anos, e um outro amor morreu. Quando Chico morrer 999.999.999 mulheres vão se descabelar, gritar e disputar quem mais amava Chico Buarque. Não se afobe não que nada é pra já.... Ritas, Angélicas, Bárbaras, Beatrizes, Carolinas, Iracemas e Luisas se esbofetearão no meio do salão de seu velório para ver com quem ficará a faixa de sua musa maior. Vai ter matéria no Fantástico, Jornal Nacional, Globo Esporte dedicado ao Politheana(o time criado por ele), e até no Globo Rural vai ser pauta, pois vão dar um jeito de encaixar por lá os saltimbancos: o animal não é nenhum banana!. Enquanto isso o corpo de Chico Buarque estará apodrecendo dentro de uma caixa de madeira de jacarandá, ou melhor, como símbolo máximo nacional, de pau-brasil. Aqueles lindos olhos de ardósia serão comidos pelos vermes. Chico Buarque vai morrer. Tudo morre, tudo acaba. Até chegar aqui eu muito já pensei sobre tudo o que morre, e acaba. E a morte de Chico é a única morte que tocará a todos nós, que o amamos, ao mesmo tempo e de forma intensa. Um amor acabou. Eu já sabia que amores acabam, e isso não te importa. O que importa é velório do Chico, o caixão descendo e Marieta chorando. Ela não sabe mas ele estará cantando: Você vai me seguir aonde quer que eu vá. Chico é imortal antes mesmo de morrer. Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão. Pode rodar e rodar, mas ele não vai mais voltar... Palavra de mulher.
"(...)em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."
(Paulo Mendes Campos em O amor acaba)
Imagem: A dança da vida de Munch
escrito por Paula 7:19 PM|
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Frouxa de rir
Chove, mas lá nas montanhas, perto do Pão-de açúcar, faz sol. Diante de sol e chuva, você que foi pega desprevenida poderá ficar sem saber se chuva e sol é casamento de espanhol, ou se sol e chuva é casamento de viúva. Se é verão, verão, verão, te inibem de sofrer, mas pode realmente chover em seu coração. No meu, não sei explicar, chove lá fora e no entanto meu riso é frouxo. Danço em frente ao espelho. Danço o que nunca dançei, é verão dentro de mim. Sim, a tua lembrança me dói, dói tanto, à cabeça imagens desse tal desencontro. Tento fugir destes clichês registrados pelo Chico, e não há como. O cara se encarregou de fechar todas as possibilidades, pensou em tudo, o danado. E para cada passo meu(seu e de todas as gentes-musicais), lá esta ele falando de cada clarão, tatuagens. Meu consolo é saber que estamos todos juntos aí nesta barca. Nem eu, nem você, nem a mais frívola das pessoas escapará incólume à uma de suas crônica de amor.
Às vezes sinto raiva dele por não me permitir sentir nada de novo e sublime. Tenho a impressão de que tudo já foi vivido, todas as formas de amor já foram experimentadas. [neste momento faz mais sol que chuva. tempo louco.] E, eu fico tentando viver um grande amor nunca vivido, quando na verdade só desejo o óbvio: o riso frouxo que espreme a lágrima fina no canto do olho. Como são vadios os corações...
escrito por Paula 7:04 PM|
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